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Fordlândia: conheça a cidade criada pela Ford no Brasil

A Ford chegou ao Brasil em 1919 e se instalou em armazéns no centro de São Paulo. Mas o capítulo mais curioso da história da fabricante no país começaria a ser escrito em 1927, quando o empresário americano Henry Ford decidiu construir uma cidade na Amazônia, rodeada por 300 mil seringueiras, nas margens do rio Tapajós.

Conhecido como Fordlândia, o vilarejo ocupava um milhão de hectares e prometia ser uma Detroit brasileira. O objetivo na época era criar uma alusão à cidade norte-americana onde Ford fundou sua montadora no início do século XX, mas o projeto não vingou.

Neste post, vamos relembrar um pouco da concepção faraônica que tinha como objetivo principal ser um dos maiores pólos da indústria automobilística no país. Acompanhe!

Império da Ford na Floresta Amazônica

Animado com o sucesso de sua indústria e com intenção de fugir do alto preço do látex comercializado pela Inglaterra, Henry Ford plantou seringueiras na Floresta Amazônica para extrair sua própria borracha.

Ele nunca pisou os pés em solo amazônico, mas construiu uma cidade em terras compradas de um agricultor por um valor equivalente a R$ 125 mil nos dias de hoje. O empresário ignorou o fato de a terra ser montanhosa e, portanto, inapropriada para o cultivo de seringueira. Ele queria mesmo erguer um império da Ford no Brasil — e conseguiu.

A cidade possuía escolas, casas de madeira feitas no modelo americano, vilas para administradores, campos de golfe com piscinas, além de um hospital que planejava fazer o primeiro transplante de pele no país.

Moradia e emprego atraíam trabalhadores brasileiros e estrangeiros, que recebiam o salário quinzenalmente em dinheiro. Mas, em pouco tempo, a atração se tornou uma grande decepção.

Revolta das Panelas

Receber o salário em dinheiro a cada 15 dias era um atrativo e tanto. Mas essa atração não foi suficiente para os trabalhadores brasileiros, que se desentenderam com os gerentes estrangeiros.

Os funcionários cansaram de imposições como relógio de ponto, sirenes e regras de comportamentos que, na época, eram novidades por aqui. Eles eram proibidos de fumar e beber, e passaram a se alimentar com pratos tipicamente americanos. Com os conflitos, a produtividade caiu e começaram os protestos.

Em 1930, os trabalhadores se rebelaram em um movimento que ficou conhecido como “Revolta das Panelas”. Eles protestavam contra o espinafre nas refeições e reivindicavam que lhes fossem servidos pratos com feijão brasileiro.

O fim da Fordlândia

Além do problema com a diferença de culturas, a Fordlândia não vingou por outros motivos. Quando o projeto foi desenvolvido no país, o Brasil não vivia mais o auge da borracha.

A produção começou a declinar 15 anos antes, quando britânicos levaram 70 mil sementes para a Ásia. Como se não bastasse, os americanos da Ford não tinham conhecimento em botânica e a plantação passou a sofrer ataque de fungos.

Ford levou o cultivo de seringueira para Belterra, mas o projeto de uma segunda cidade degringolou com a chegada da borracha sintética, em 1945. O império de Ford custou cerca de US$ 500 bilhões e, no final, foi arrematado pelo governo brasileiro – que também assumiu dívidas trabalhistas – por US$ 250 mil (R$ 574 mil).

Atualmente, as instalações viraram cidades fantasmas e aguardam o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Você já conhecia essa história? Conhece alguma curiosidade que não contamos aqui? Compartilhe com a gente nos comentários!